terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As famigeradas OTITES

        
Malassezia pachydermatis otitis externa, dog. Courtesy of Dr. Stephen White (
http://www.merckvetmanual.com/mvm/htm/bc/eeoe01.htm)

        Decidi escrever esse post devido ao alto número de interjeições que escuto quando digo que no caso de uma otite, o cliente deve me ligar, pois não é aconselhável misturar terapias opostas como homeopatia e alopatia. 
         "Nossa! Mas homeopatia também serve para casos agudos?" É o que segue na conversa. 
     Acho que explico isso para 90% de meus clientes. Os que não se sentem seguros a seguir minhas orientações, acabam retornando a ligação com a queixa do retorno de sintomas que já haviam desaparecido (mais profundos).   Os que seguem minhas orientações à risca acabam me dando mais interjeições: "Nossa! Como melhora rápido! Nem parece que a orelha dele estava tão ruim ontem!"
        Algumas explicações.
        As otites são consideradas sintomas de eliminação, ou seja, aparece assim que um sintoma mais profundo começa a ser mexido no sentido da cura. Não é só a homeopatia que faz isso. Além de veterinária homeopata, sou consultora comportamental e no passado trabalhava somente como consultora e adestradora. Eu percebia que a maioria dos cães ansiosos, depois de submetidos ao tratamento comportamental (controle de ansiedade, broncas e recompensas) acabava desenvolvendo coceira ou otite (alguns também diarréia). O cão se acalmava sim com o treinamento, mas aparecia algum desses novos sintomas. Então o tutor acabava relatando que o cão sofria de otites recorrentes mesmo (forma naturalmente usada pelo corpo para aliviar o sintoma cerebral/mental).  De fato, depois do aparecimento da otite (tema deste post), o cão ficava mais calmo, mas como a medicina tradicional vê tudo em caixinhas bem separadas, o tutor acabava levando o cão para o vet alopata que obviamente fazia o que sabe: passar um medicamento para acabar com a otite. Depois disso a pessoa acabava até me ligando antes da próxima aula (de adestramento) relatando um retorno na ansiedade e uma dificuldade em aplicar o treinamento. Com o tempo, percebi que eu chegava na próxima aula e a otite não estava mais lá. Depois liguei os fatos: treinamento/terapia comportamental, seguida de melhoria de sintomas de ansiedade (mental) com aparecimento de otite. Tratamento localizado da otite, retorno da ansiedade. Essa equação nunca teve meio termo na minha experiência (podemos usar a mesma equação para casos de diarréia ou coceira na pele).
       Portanto, sendo a otite um sintoma de eliminação de processos mentais (portanto mais internos), só pode ser curada com estímulo semelhante, ou seja, sob as leis da homeopatia. Depois do tratamento correto, dificilmente voltarão a aparecer tanto a ansiedade quanto a otite. A cura é rápida, nos meus pacientes nunca demorou mais que 24h para que o animal melhorasse de forma completa.
       Usei esse exemplo para falar de cura de doenças agudas, pois muitas pessoas (tutores, adestradores, veterinários) podem ter a chance de observar esse binômio "sintomas mentais - otites" e perceber como a doença, quando não curada, fica caminhando dentro do corpo do indivíduo. É só parar para observar. 

OBRIGADA Pela atenção!
Alessandra Caprara

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ceticismo, objetividade e Homeopatia


Uma síntese útil sobre a grande maioria dos críticos da homeopatia.

Pseudo-ceticismo

O termo pseudo-ceticismo ou ceticismo patológico é usado para denotar as formas de ceticismo que se desviam da objetividade. A análise mais conhecida do termo foi conduzida por Marcello Truzzi que, em 1987, elaborou a seguinte conceituação:
Uma vez que o ceticismo adequadamente se refere à dúvida ao invés da negação - descrédito ao invés de crença - críticos que assumem uma posição negativa ao invés de uma posição agnóstica ou neutra, mas ainda assim se auto-intitulam "céticos" são, na verdade, "pseudo-céticos".[15]
.
Em sua análise,[15] Marcello Truzzi argumentou que os pseudo-céticos apresentam a seguinte conduta:
  • A tendência de negar, ao invés de duvidar.
  • Utilização de padrões de rigor acima do razoável na avaliação do objeto de sua crítica.
  • A realização de julgamentos sem uma investigação completa e conclusiva.
  • Tendência ao descrédito, ao invés da investigação.
  • Uso do ridículo ou de ataques pessoais.
  • A apresentação de evidências insuficientes.
  • A tentativa de desqualificar proponentes de novas idéias taxando-os pejorativamente de 'pseudo-cientistas', 'promotores' ou 'praticantes de ciência patológica'.
  • Partir do pressuposto de que suas críticas não tem o ônus da prova, e que suas argumentações não precisam estar suportadas por evidências.
  • A apresentação de contra-provas não fundamentadas ou baseadas apenas em plausibilidade, ao invés de se basearem em evidências empíricas.
  • A sugestão de que evidências inconvincentes são suficientes para se assumir que uma teoria é falsa.
  • A tendência de desqualificar 'toda e qualquer' evidência.
O termo pseudo-ceticismo parece ter suas origens na filosofia, na segunda metade do século 19.[16]

15.    ↑ a b "Marcello Truzzi,. On Pseudo-Skepticism" Zetetic Scholar (1987) No. 12/13, 3-4.
16.   ↑ Charles Dudley Warner, Editor, Library Of The World's Best Literature Ancient And Modern, Vol. II, 1896. Disponível no Projeto Gutenberg

Retirado do link:    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ceticismo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Contágio da Ignorância

Tive a oportunidade de ir ao cinema essa semana. Assisti um filme chamado Contágio, que é um bom filme, mas poderia ser melhor se não fosse por alguns detalhes que retiram um tanto da sua credibilidade. O texto a seguir conta algumas passagens do filme para poder comentá-las, e não é aconselhável a leitura se você deseja ver o filme e não gosta de saber o final antecipadamente.

O filme se baseia na ideia que ganhou força recentemente de um vírus mutante causando uma epidemia de grandes proporções na humanidade. Este vírus teria uma mistura genética de outros vírus, causando uma combinação peculiar capaz de atingir uma alta propagação e mortalidade em um tempo extremamente curto. Já houve doenças terríveis na história da humanidade, como o peste negra e a gripe espanhola, é provável que um dia este fato se repita.

O filme tenta manter um ar de verossimilhança, com uma grande quantidade de informações médicas e termos técnicos. O problema é que no momento de concluir o filme, tudo isso se perde. Os protagonistas desenvolvem uma vacina em menos de quatro meses, o que é absolutamente inviável. Mesmo com a premissa do filme, de evitar uma parte dos testes com uma decisão arriscada, a inoculação na própria médica que a desenvolve, ainda assim o prazo foi quimérico. Também é ignorado o fato de que toda vacina tem uma janela imunológica, ou seja, um prazo para que começe a gerar a suposta imunidade. É por isso que, mesmo na Alopatia não vemos tratamentos com vacinas, somente prevenções.

Em outros momentos, o filme traz um jornalista que questiona a veracidade das informações da OMS e dos governos, indicando alternativamente um medicamento chamado forsítia. Mais adiante, citam que este agente seria homeopático (o que eu não consegui confirmar, talvez exista este medicamento nos E.U.A.). Segue próximo ao término do filme que o jornalista em questão estava enganando as pessoas e lucrando com isso. A situação não criticou diretamente a Homeopatia, mas estimulou um desentendimento e um preconceito, desnecessariamente. Se quem quer que seja pensa que o objetivo final dos homeopatas seja lucrar, precisa rever seus conceitos. Com certeza é o de alguns, e existe tanto charlatanismo na Homeopatia quanto na Alopatia. Mas o mercado de Homeopatia gera menos lucro nos E.U.A. do que o mercado de esmaltes para unhas gera no Brasil, uma economia indiscutivelmente mais fraca.

Mesmo considerando ser um filme, é necessário alguns cuidados, pois o público leigo não tem conhecimento destas limitações de técnica. Ao tentar manter a ligação com a realidade, o filme pode dar uma aparência enganosa do que seja a medicina. Mais importante, deve-se ter cuidado sobre o que se fala, para não incorrer no risco de gerar preconceitos na população, um erro grave quando se é um formador de opinião, como os produtores do filme. A não ser, é claro, que tal associação tenha sido proposital...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Olá!

Trago hoje um texto de Sócrates, um diálogo de Platão à Cármides - Sócrates: diálogo de Platão; Cármides; 156 b, c, d.

Ele aborda, na forma corriqueira de um diálogo, uma observação fundamental, postulada posteriormente como um dos pilares da Homeopatia: o entendimento que um corpo vivo é um todo, e não uma soma de partes, e que assim deve ser considerado pelo médico ou pelo veterinário que o aborda.

Atualmente, somos maciçamente levados a acreditar que a especialização do conhecimento nos levou a grandes avanços científicos e que o especialista é o verdadeiro homem de ciência. Para tudo devemos consultar um especialista. Em medicina ou em veterinária, por exemplo, podemos até acreditar que somente um oftalmologista é capaz, ou é o melhor profissional para tratar um glaucoma.

O especialismo foi mais o resultado de uma conciliação entre diversas tendências práticas, financeiras e comportamentais conduzidas pela modernização do que propriamente um aprimoramento do conhecimento.

Em medicina, e podemos imaginar na veterinária também, o especialismo foi e é a grande saída para o médico poder ganhar mais e trabalhar menos.

Vamos ao texto! Boa leitura!

"- Isso me alegra, lhe disse: fico mais à vontade para explicar-te em que consiste a fórmula mágica, pois até há pouco eu me sentia em dificuldade para revelar-te sua virtude. É de tal modo constituída, meu caro Cármides, que não serve para curar apenas a cabeça. decerto já ouviste falar de bons médicos : quando alguém vai consultá-los a respeito de dor de olhos, dizem que não podem tratar os olhos isoladamente; para que os olhos aproveitem, é preciso cuidar simultaneamente da cabeça: do mesmo modo, imaginar que seja possível tratar só da cabeça, sem levar em consideração o corpo todo, é rematada tolice. Com esse raciocínio, determinam suas prescrições para todo o corpo, esforçando-se em tratar e curar a parte juntamente com o todo. Ou não observaste que é assim que eles falam e que as coisas se passam desse jeito?
- Perfeitamente, respondeu."

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Medicina e a Religiosidade

Antes de mais nada, me parece importante deixar claro que o foco do texto não é fundir os dois aspectos em discussão. A técnica deve ser, sempre, isenta de conceitos religiosos em seu cerne, caso contrário deixaria de se estruturar como ciência, por mais eficiente que possa vir a ser. A sua construção deve seguir princípios metodológicos, experimentais, como a verdadeira Homeopatia faz, tendo seu foco no resultado prático, apesar deste último ainda estar sujeito ao paradigma cultural de cada indivíduo, no que diz respeito se o considera favorável ou não.

Porém, tanto o terapeuta quanto o paciente, no nosso caso o responsável por tal, não estão isentos de suas próprias concepções metafíscas, ou da ausência delas, e isso de maneira nenhuma deve ser considerado um entrave. Pelo contrário. Quando lidamos com saúde, muitas vezes até no fim de suas forças, o conforto que uma crença em particular, não importa qual seja, ou até um conforto filosófico, no estilo "me esforcei para auxiliar da melhor maneira" deve sempre ser valorizado.

Como prestadores de serviço ou contratantes deste mesmo, nos comportamos de maneira prática, mas como pessoas que somos, compreendemos o mundo através de nossas lentes específicas. Frente à doença ou ate à morte, é saudável que reajamos de acordo com tais lentes, a partir do momento em que a técnica já tenha sido utilizada corretamente e nada mais exista para se fazer dentro dela.

Isto leva ao ponto vital desta questão. Não importa quais são as concepções do homeopata*, considerando que ele é a parte menos envolvida emocionalmente no caso, pois não possui uma relação afetiva duradoura com seu paciente, como no nosso caso tem o proprietário, deve ele sempre respeitar a opinião de seu interlocutor no que diz respeito à religiosidade. Deve tentar consolá-lo, se necessário, dentro de seus próprios termos. Deve conhecer seu paciente, ou o responsável por ele, suficientemente bem para auxilia-lo em momentos difíceis de se passar, onde muitas vezes se é tido como fonte de esperança ou pelo menos de alívio. Para tanto, deve ser livre de preconceitos e tolerante, como, aliás, todos os seres ditos racionais deveriam ser.



*Isto deveria se aplicar a qualquer profissional de saúde. Ao adentrar o mundo médico, o indivíduo deveria refletir sobre todo o sofrimento com o qual se encontrará. Não é o caso, porém, da maioria dos profissionais da área, que a vêem somente como um ganha pão, e não serei eu o louco de pedir isso a uma profissão cada vez mais mecânica e menos humanitária.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MAIS MOTIVOS PARA NÃO CONTRATAR MEU SERVIÇO (VERSÃO CAMILA) DE MÉDICA VETERINÁRIA HOMEOPATA:

1. Se você não tem a menor vontade de fazer a retirada ou a diminuição dos medicamentos alopáticos sob a minha cuidadosa orientação;

2. Se você espera que a Homeopatia seja apenas um adjuvante no tratamento alopático;

3. Se você acha que eu não peço exames necessários;

4. Se você tem a certeza de que suplementos vitamínicos e minerais não são medicamentos, não têm impacto negativo sobre a saúde e que eles "fortificam" o animal;

5. Se você acha a minha consulta simples demais, podendo até suspeitar de que eu não sou veterinária (rsrsrs).

6. Se você se incomoda com o fato de que eu posso consultar livros durante a consulta.

Abraços,
Camila Steck

O caso do Tiquinho

Margareth Lucy Tyler(1875-1943) foi uma homeopata inglesa. Ela clinicou em Londres no difícil período da segunda guerra mundial, já no final de sua vida. Mesmo durante esse tempo, ela se manteve espirituosa e fiel a prática de uma Homeopatia correta. Pelo menos é isso que se pode inferir a partir de seus escritos, onde ela esbanja bom humor e conhecimento.

Em um de seus textos - How not to practice Homeopathy (como não praticar a Homeopatia) - ela diz a seguinte frase, que não sei se é dela mesmo ou se apenas reproduziu alguma coisa comum na época:
"Maldições (lançadas) e prescrições ruins sempre voltam".

Realmente, quando prescrevemos o medicamento errado (ou a potência, ou a frequência), temos muito trabalho. Primeiro em aceitar que erramos e tomar a decisão de alterar a nossa primeira escolha, e a segunda em escolher um medicamento que tanto resolva o problemas que causamos quanto o original pelo qual fomos chamados.

Mas o que acontece quando não temos um retorno do que ocorreu com o paciente? A própria Margareth Tyler diz os melhores tratamentos nós só sabemos que funcionaram anos depois. Não é realmente parte da nossa cultura, ou da cultura britânica também, aparentemente, retornar ao médico só para dizer que está bem. Então de duas, uma: ou o paciente melhorou a ponto de não mais precisar de tratamento, ou o proprietário (no caso veterinário) não gostou do que fizemos. E ficamos assim, às escuras, por tempo indeterminado.

Mas esse dias eu tive a oportunidade de ter uma surpresa agradável. Um cão que eu estava tratando - o Tiquinho - costumava ter um acesso de falta de ar no período da noite, aproximadamente as 23:00h. Ficava agitado com isso e queria andar pela casa. Os proprietários acordavam com isso, pois além do barulho, o animal desejava permanecer com a dona, além é claro da preocupação que os tomava.

Tiquinho já tinha sido tratado por bastante tempo antes de eu visitá-lo (um ano se não me engano), sem resultados. No início do tratamento com Homeopatia, a proprietária me ligava constantemente, com razão, pois os medicamentos não estavam surtindo efeito como o esperado. Até que em um dado momento as ligações cessaram. Fiquei por bastante tempo pensando o que poderia ter acontecido. Será que a minha falta de conhecimentos fez com que mais uma pessoa se iludisse com a Homeopatia?

Até que essa semana recebi a ligação da dona do animal, me dizendo que ele tinha melhorado muito. As crises praticamente não existem mais. Ela estava bastante satisfeita, dizendo que a princípio não acreditava na Homeopatia, de tanto que se ouve falar que não funciona, mas que pelo tempo que ele se tratava com Alopatia, sem resultados, resolveu experimentar, pela recomendação de uma amiga dela que me conhece.

Enfim, diferente do que muitos acreditam, a Homeopatia não é questão de crença, pois nem o Tiquinho e nem sua dona a tinham, e mesmo assim o tratamento surtiu efeito. E mais uma vez eu pude me satisfazer com a prática que escolhi, pois apesar da minha pouca experiência, ainda, é possível auxiliar em curas nas quais as esperanças, muitas vezes, já haviam sido abandonadas.