quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Revendo Conceitos


Eu tive a chance de ver este vídeo nesta semana. O médico em questão apresenta uma visão interessante de medicina. É parecida com a que foi proposta por Hahnemann, o criador da Homeopatia, no início do século XIX.

Atitudes como a esta fazem com que cada vez mais o paradigma médico atual tenha que se acostumar com a existência de outras formas de ver a saúde, o corpo e a interação médico-paciente. A longo prazo, talvez tenhamos menos preconceito e o uso mais disseminado de terapias focadas no doente como um todo, entre elas, a Homeopatia.

Aproveitem!

André Paduan

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Por que levar meu animal ao veterinário homeopata?

          SAPERE AUDE*

          Em março de 2011 eu escrevi um post intitulado "Quando levar seu animal ao vet homeopata", se você ainda não leu, sugiro que leia, se já leu, aproveite para relembrar. A fim de continuar o raciocínio, volto a abordar este tema, mas agora gostaria de iniciar um projeto de educação continuada de tutores de animais de estimação (todas as observações feitas aqui podem ser extrapoladas para a saúde humana). Lembrando que, tanto eu quanto meus colegas que também escrevem aqui, somos formados em escolas tradicionais de medicina veterinária, portanto a escolha por uma outra medicina, a homeopática, foi feita com base em necessidades anteriormente não satisfeitas.
          Até onde sei, somos livres para optarmos pela vida que queremos. Também suspeito que para realmente optar, precisamos ter conhecimento claro sobre as opções que estão à nossa frente. Sem conhecimento e clareza não é possível optar e ficamos presos às decisões externas do que é melhor para nós. Como  vivemos em uma sociedade mecanicista e somos inundados com essa linha de pensamento desde que pisamos neste mundo (na televisão, nas revistas, jornais, propagandas, religiões, etc), portanto se torna natural que pensemos que não existe outra opção. Não ter outra opção é cruel e aqui dou meu testemunho. Ao perceber, logo na faculdade, que eu precisava de uma outra forma de abordar a saúde dos animais e não sabendo que havia outra opção que não fosse apenas complementar à medicina tradicional que estava aprendendo, fiquei num limbo bem desconfortável, até (quem procura acha) ser apresentada ao meu professor de homeopatia. A partir deste dia senti o conforto da liberdade de escolha. Apesar da responsabilidade que isso implica, poder olhar com conhecimento e escolher é de um prazer indescritível. Portanto, vou me aventurar na difícil arte de passar o conhecimento para que outras pessoas possam gozar dessa mesma liberdade. Espero ser capaz de fazer isso.
          Como já vimos em outros posts, ao considerar a homeopatia, a pergunta que se deve fazer não é exatamente: "a homeopatia trata isso?", mas sim "a homeopatia preenche as minhas expectativas dentro da dinâmica saúde-doença?". Primeiro seria interessante saber o que é saúde e o que é doença.
          A descrição de saúde de que dispomos está no parágrafo 9 do "Organon da Arte de Curar" de Samuel Hahnemann que transcrevo aqui para reflexão:
          "No estado de saúde, a força vital de natureza imaterial (autocracia), que dinamicamente anima o corpo material (organismo), reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de nossa existência." ("espírito dotado de razão" - porção imaterial do corpo vivo).
          Agora a descrição de doença, retirada do mesmo livro (parágrafo 11):
          "Quando o homem adoece, essa força vital de natureza imaterial de atividade própria, presente em toda parte no seu organismo (princípio vital), é a única que inicialmente sofre a influência dinâmica hostil à vida, dum agente morbígeno, é somente o princípio vital, perturbado para uma tal anormalidade, que pode fornecer ao organismo as sensações desagradáveis e impeli-lo, dessarte, a atividades irregulares a que chamamos doença; pois essa força invisível por si mesma e apenas reconhecível por seus efeitos no organismo, torna conhecida sua perturbação mórbida apenas pela manifestação de doença nas sensações e funções (a parte do organismo acessível aos sentidos do observador e médico), isto é,  por sintomas mórbidos, e não pode torná-lo conhecido de outra maneira."

          Simplificadamente é isso. Importante notar que tudo aqui gira em torno da Força ou Energia Vital, imaterial, dinâmica e responsável pela vida e sensações orgânicas:
          Parágrafo 10: "O organismo material, destituído da força vital, não é capaz de nenhuma sensação, nenhuma atividade, nenhuma autoconservação; é somente o ser imaterial, animador do organismo material do estado são e no estado mórbido (o princípio vital, a força vital), que lhe dá toda sensação e estimula suas funções vitais."
          A saúde e a doença têm como base a Energia Vital. O organismo material nos mostra os sinais do desequilíbrio por meio de sintomas individuais,  diversos e claros para um bom observador. Não é apenas ser capaz de perceber que o animal se coça, mas conseguir enxergar que ele coça mais pela manhã e muito mais do lado direito e que quando coça a pele não se altera, ou então que quando coça a pele sangra. Todo detalhe é importante, pois expressa de forma fiel o processo doentio que acomete aquele indivíduo levando ao medicamento correto para o tratamento.
         Começar a compreender os caminhos seguidos para a cura de um mal e a forma de raciocínio de um médico (vet ou não) homeopata é o primeiro passo para responder a pergunta que coloquei no título do post: "Por que levar meu animal ao veterinário homeopata?"
       


          * Sapere aude"ouse saber" ou "atreva-se a saber", por vezes traduzido como "tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento"
       

segunda-feira, 19 de março de 2012

Sobre as Diferentes Escolas Homeopáticas

          Estou escrevendo esse post, pois já percebi que acabo sempre escrevendo a mesma coisa pras pessoas que me chamam de radical ou que dizem que a homeopatia tem várias escolas. Então, pretendo que, tendo já escrito o principal, possa apenas colar este link. Questão de otimização de tempo.

          Vamos lá:
          A homeopatica ou Medicina Homeopática foi desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann (o nome abreviadinho). Ele, baseando-se em seu conhecimento em medicina, observações das reações dos pacientes e em seu conhecimento multifatorial (medicina, química, física, filosofia, diversos idiomas) e em seu trabalho como tradutor de obras (onde adquiriu boa parte de seu conhecimento), chegou à conclusão que a medicina tradicional fazia tudo de forma muito equivocada (sangrias, purgações por todas as vias) esgotando a vida dos pacientes que normalmente morriam pelo tratamento e não pela moléstia original.
          Hoje já não fazemos sangrias (ao menos a maioria), mas os tratamentos continuam minando a vida dos pacientes de forma crônica, constante e gradual.
          Hahnemann não se contentou apenas com seu descontentamento e largou aquela prática médica que havia aprendido na escola e se dedicou a encontrar uma saída para o sofrimento dos seres vivos. Aos poucos ele foi encontrando muito material que o ajudou na construção da Homeopatia. Essa Medicina nova que nascia para a prática foi se desenvolvendo por meio de experimentações e comprovações e tudo foi registrado em livros.
          Tudo que esse médico desenvolveu há 200 anos ainda funciona perfeitamente até hoje quando apenas se pratica aquilo que está em seus livros. Então fica uma pergunta: para que inventar outras formas de utilização da Medicina Homeopática se a forma original é, mesmo depois de tanto tempo, totalmente útil e capaz em si mesma? E outra ainda: como mudar os fundamentos de uma prática e continuar dando a ela o mesmo nome?

Vou discorrer:
          Na homeopatia temos leis para aplicação e leis de cura (não são leis impostas, mas observadas na natureza - como ela reage aos estímulos - e descritas).

  • A primeira lei da homeopatia é a Lei dos Semelhantes (Similia similibus curentur - o semelhante que se cure pelo semelhante) - essa é uma lei natural observada: uma doença é curada tão logo o paciente receba um estímulo semelhante ao conjunto de sintomas que apresenta. Um médico que não observa a totalidade dos sintomas dignos de tratamento naquele momento para ministrar o medicamento, já começa não praticando Homeopatia, nem que ele mesmo queira se autodenominar Homeopata.
  • Outra lei que posso citar é a Experimentação no homem Saudável: nenhum medicamento poderá ser chamado homeopático ou ainda ser usado na Medicina Homeopática se não foi previamente testado e se não teve seus sintomas de intoxicação anotados por pessoas de alta capacidade de observação e neutralidade suficiente. Como poderá um médico que se diz homeopata, usar um extrato de alguma coisa, como por exemplo pulgas, dinamizando (processo de fabricação de medicamentos homeopáticos) e falando que isso vai curar pulgas? (pode ser que cure a pulga, mas não diria o mesmo do hospedeiro dela). Como pode alguém que se denomina homeopata, saber se está aplicando a Lei dos Semelhantes se não tem material para comparar o conjunto de sintomas que o paciente apresenta? Como vou saber se são semelhantes? 

          Não estou dizendo aqui que tais ações não funcionam para aliviar dores ou acabar com pulgas de fato, mas estou AFIRMANDO que não se trata de Homeopatia. Podem usar tais terapias, mas batizem-nas com outro nome tais como: bioterapia, nosodioterapia, isoterapia, etc. Sejamos honestos para com nossos pacientes/clientes.

  • Outra lei da homeopatia é o das doses infinitesimais. Essa lei assegura que para que haja um efeito suave e duradouro, a substância medicamentosa deve ser diluída e passar por um processo que desperta seu poder vital (agitações específicas denominadas sucussões). Em homeopatia, como se pode notar nas obras de Hahnemann, é considerado utilizar potências acima de 6. Isso quer dizer que a substância passou por diluições de 1:100 6 vezes, além de ter sofrido sucussão em todo processo. Então como um médico que se diz homeopata pode usar a substância medicamentosa bruta (sem passar por tais processos) e dizer que está praticando homeopatia?
  • Mais uma lei que não pode ser esquecida é a de medicamento único: não tem como praticar a lei dos semelhantes dando mais de um medicamento de cada vez. Uma vez que as substâncias foram experimentadas de forma isolada (cada sujeito do experimento tomou só 1 substância de cada vez), não teria como eu comparar a síndrome sintomatológica do paciente se misturar várias substâncias no tratamento. Mal conhecemos os efeitos de suas interações e já se sabe que algumas agem de forma antagônica às outras e que tem aquelas que se somam em sua ação. Então, um médico que se diz homeopata e passa complexos (várias substâncias misturadas no mesmo frasco) ou diversos medicamentos para serem tomados ao mesmo tempo repetidamente está agindo de má fé, pois não estou dizendo que não funciona, o paciente pode melhorar, mas estou dizendo que Não É Homeopatia. É só dar outro nome ao tratamento e tudo bem usar das mesmas ferramentas. Ao menos o paciente/cliente não estará comprando gato por lebre. 

          A homeopatia e a alopatia são medicinas contrárias (isso não é teoria, mas observação). Não existe a menor possibilidade de usá-las em conjunto de forma terapêutica e ainda denominar-se homeopata. Um alopata pode utilizar-se de Medicamentos Homeopáticos (esse nome, para mim, é o cerne de toda a confusão, pois a maior parte dos leigos acha que homeopatia é um vidrinho com bolinhas de açúcar) para praticar alopatia, já que o medicamento é apenas uma ferramenta. Da mesma forma, uma faca de mesa pode ser usada como arma ou como chave de fenda uma vez que não encerra em si a sua função e esta fica ligada ao objetivo de quem a utiliza. Medicamentos dinamizados (chamados horrorosamente de homeopáticos) são ferramentas que podem ser utilizados de forma vitalista, holista, homeopática ou de forma mecanicista, organicista, alopática, só vai depender de quem está utilizando e do seu nível de conhecimento acerca dos benefícios da ferramenta.
          Por isso esteja atento ao que faz seu médico e se ele está sendo honesto acerca daquilo que denomina homeopatia. Ha ainda quem simplesmente ignore o que Hahnemann escreveu, dizendo que isso está ultrapassado. Ultrapassado de que forma? Não funciona mais? Isso é possível desmentir com o número de casos de cura com a utilização apenas do que Hahnemann descreveu. Então pra que mudar? Vaidade? Vontade de promoção pessoal? Tudo bem, existem várias formas de se obter alívio, o mais importante é saber exatamente o que está sendo feito. Isso faz parte da ética que os colegas tanto primam.
          Lendo isso, mais este post sobre como achar um bom homeopata, pode ajudar muita gente a trilhar pelo caminho que realmente deseja.

Abraços.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As famigeradas OTITES

        
Malassezia pachydermatis otitis externa, dog. Courtesy of Dr. Stephen White (
http://www.merckvetmanual.com/mvm/htm/bc/eeoe01.htm)

        Decidi escrever esse post devido ao alto número de interjeições que escuto quando digo que no caso de uma otite, o cliente deve me ligar, pois não é aconselhável misturar terapias opostas como homeopatia e alopatia. 
         "Nossa! Mas homeopatia também serve para casos agudos?" É o que segue na conversa. 
     Acho que explico isso para 90% de meus clientes. Os que não se sentem seguros a seguir minhas orientações, acabam retornando a ligação com a queixa do retorno de sintomas que já haviam desaparecido (mais profundos).   Os que seguem minhas orientações à risca acabam me dando mais interjeições: "Nossa! Como melhora rápido! Nem parece que a orelha dele estava tão ruim ontem!"
        Algumas explicações.
        As otites são consideradas sintomas de eliminação, ou seja, aparece assim que um sintoma mais profundo começa a ser mexido no sentido da cura. Não é só a homeopatia que faz isso. Além de veterinária homeopata, sou consultora comportamental e no passado trabalhava somente como consultora e adestradora. Eu percebia que a maioria dos cães ansiosos, depois de submetidos ao tratamento comportamental (controle de ansiedade, broncas e recompensas) acabava desenvolvendo coceira ou otite (alguns também diarréia). O cão se acalmava sim com o treinamento, mas aparecia algum desses novos sintomas. Então o tutor acabava relatando que o cão sofria de otites recorrentes mesmo (forma naturalmente usada pelo corpo para aliviar o sintoma cerebral/mental).  De fato, depois do aparecimento da otite (tema deste post), o cão ficava mais calmo, mas como a medicina tradicional vê tudo em caixinhas bem separadas, o tutor acabava levando o cão para o vet alopata que obviamente fazia o que sabe: passar um medicamento para acabar com a otite. Depois disso a pessoa acabava até me ligando antes da próxima aula (de adestramento) relatando um retorno na ansiedade e uma dificuldade em aplicar o treinamento. Com o tempo, percebi que eu chegava na próxima aula e a otite não estava mais lá. Depois liguei os fatos: treinamento/terapia comportamental, seguida de melhoria de sintomas de ansiedade (mental) com aparecimento de otite. Tratamento localizado da otite, retorno da ansiedade. Essa equação nunca teve meio termo na minha experiência (podemos usar a mesma equação para casos de diarréia ou coceira na pele).
       Portanto, sendo a otite um sintoma de eliminação de processos mentais (portanto mais internos), só pode ser curada com estímulo semelhante, ou seja, sob as leis da homeopatia. Depois do tratamento correto, dificilmente voltarão a aparecer tanto a ansiedade quanto a otite. A cura é rápida, nos meus pacientes nunca demorou mais que 24h para que o animal melhorasse de forma completa.
       Usei esse exemplo para falar de cura de doenças agudas, pois muitas pessoas (tutores, adestradores, veterinários) podem ter a chance de observar esse binômio "sintomas mentais - otites" e perceber como a doença, quando não curada, fica caminhando dentro do corpo do indivíduo. É só parar para observar

OBRIGADA Pela atenção!
Alessandra Caprara

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ceticismo, objetividade e Homeopatia


Uma síntese útil sobre a grande maioria dos críticos da homeopatia.

Pseudo-ceticismo

O termo pseudo-ceticismo ou ceticismo patológico é usado para denotar as formas de ceticismo que se desviam da objetividade. A análise mais conhecida do termo foi conduzida por Marcello Truzzi que, em 1987, elaborou a seguinte conceituação:
Uma vez que o ceticismo adequadamente se refere à dúvida ao invés da negação - descrédito ao invés de crença - críticos que assumem uma posição negativa ao invés de uma posição agnóstica ou neutra, mas ainda assim se auto-intitulam "céticos" são, na verdade, "pseudo-céticos".[15]
.
Em sua análise,[15] Marcello Truzzi argumentou que os pseudo-céticos apresentam a seguinte conduta:
  • A tendência de negar, ao invés de duvidar.
  • Utilização de padrões de rigor acima do razoável na avaliação do objeto de sua crítica.
  • A realização de julgamentos sem uma investigação completa e conclusiva.
  • Tendência ao descrédito, ao invés da investigação.
  • Uso do ridículo ou de ataques pessoais.
  • A apresentação de evidências insuficientes.
  • A tentativa de desqualificar proponentes de novas idéias taxando-os pejorativamente de 'pseudo-cientistas', 'promotores' ou 'praticantes de ciência patológica'.
  • Partir do pressuposto de que suas críticas não tem o ônus da prova, e que suas argumentações não precisam estar suportadas por evidências.
  • A apresentação de contra-provas não fundamentadas ou baseadas apenas em plausibilidade, ao invés de se basearem em evidências empíricas.
  • A sugestão de que evidências inconvincentes são suficientes para se assumir que uma teoria é falsa.
  • A tendência de desqualificar 'toda e qualquer' evidência.
O termo pseudo-ceticismo parece ter suas origens na filosofia, na segunda metade do século 19.[16]

15.    ↑ a b "Marcello Truzzi,. On Pseudo-Skepticism" Zetetic Scholar (1987) No. 12/13, 3-4.
16.    Charles Dudley Warner, Editor, Library Of The World's Best Literature Ancient And Modern, Vol. II, 1896. Disponível no Projeto Gutenberg

Retirado do link:    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ceticismo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Contágio da Ignorância

Tive a oportunidade de ir ao cinema essa semana. Assisti um filme chamado Contágio, que é um bom filme, mas poderia ser melhor se não fosse por alguns detalhes que retiram um tanto da sua credibilidade. O texto a seguir conta algumas passagens do filme para poder comentá-las, e não é aconselhável a leitura se você deseja ver o filme e não gosta de saber o final antecipadamente.

O filme se baseia na ideia que ganhou força recentemente de um vírus mutante causando uma epidemia de grandes proporções na humanidade. Este vírus teria uma mistura genética de outros vírus, causando uma combinação peculiar capaz de atingir uma alta propagação e mortalidade em um tempo extremamente curto. Já houve doenças terríveis na história da humanidade, como o peste negra e a gripe espanhola, é provável que um dia este fato se repita.

O filme tenta manter um ar de verossimilhança, com uma grande quantidade de informações médicas e termos técnicos. O problema é que no momento de concluir o filme, tudo isso se perde. Os protagonistas desenvolvem uma vacina em menos de quatro meses, o que é absolutamente inviável. Mesmo com a premissa do filme, de evitar uma parte dos testes com uma decisão arriscada, a inoculação na própria médica que a desenvolve, ainda assim o prazo foi quimérico. Também é ignorado o fato de que toda vacina tem uma janela imunológica, ou seja, um prazo para que começe a gerar a suposta imunidade. É por isso que, mesmo na Alopatia não vemos tratamentos com vacinas, somente prevenções.

Em outros momentos, o filme traz um jornalista que questiona a veracidade das informações da OMS e dos governos, indicando alternativamente um medicamento chamado forsítia. Mais adiante, citam que este agente seria homeopático (o que eu não consegui confirmar, talvez exista este medicamento nos E.U.A.). Segue próximo ao término do filme que o jornalista em questão estava enganando as pessoas e lucrando com isso. A situação não criticou diretamente a Homeopatia, mas estimulou um desentendimento e um preconceito, desnecessariamente. Se quem quer que seja pensa que o objetivo final dos homeopatas seja lucrar, precisa rever seus conceitos. Com certeza é o de alguns, e existe tanto charlatanismo na Homeopatia quanto na Alopatia. Mas o mercado de Homeopatia gera menos lucro nos E.U.A. do que o mercado de esmaltes para unhas gera no Brasil, uma economia indiscutivelmente mais fraca.

Mesmo considerando ser um filme, é necessário alguns cuidados, pois o público leigo não tem conhecimento destas limitações de técnica. Ao tentar manter a ligação com a realidade, o filme pode dar uma aparência enganosa do que seja a medicina. Mais importante, deve-se ter cuidado sobre o que se fala, para não incorrer no risco de gerar preconceitos na população, um erro grave quando se é um formador de opinião, como os produtores do filme. A não ser, é claro, que tal associação tenha sido proposital...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Olá!

Trago hoje um texto de Sócrates, um diálogo de Platão à Cármides - Sócrates: diálogo de Platão; Cármides; 156 b, c, d.

Ele aborda, na forma corriqueira de um diálogo, uma observação fundamental, postulada posteriormente como um dos pilares da Homeopatia: o entendimento que um corpo vivo é um todo, e não uma soma de partes, e que assim deve ser considerado pelo médico ou pelo veterinário que o aborda.

Atualmente, somos maciçamente levados a acreditar que a especialização do conhecimento nos levou a grandes avanços científicos e que o especialista é o verdadeiro homem de ciência. Para tudo devemos consultar um especialista. Em medicina ou em veterinária, por exemplo, podemos até acreditar que somente um oftalmologista é capaz, ou é o melhor profissional para tratar um glaucoma.

O especialismo foi mais o resultado de uma conciliação entre diversas tendências práticas, financeiras e comportamentais conduzidas pela modernização do que propriamente um aprimoramento do conhecimento.

Em medicina, e podemos imaginar na veterinária também, o especialismo foi e é a grande saída para o médico poder ganhar mais e trabalhar menos.

Vamos ao texto! Boa leitura!

"- Isso me alegra, lhe disse: fico mais à vontade para explicar-te em que consiste a fórmula mágica, pois até há pouco eu me sentia em dificuldade para revelar-te sua virtude. É de tal modo constituída, meu caro Cármides, que não serve para curar apenas a cabeça. decerto já ouviste falar de bons médicos : quando alguém vai consultá-los a respeito de dor de olhos, dizem que não podem tratar os olhos isoladamente; para que os olhos aproveitem, é preciso cuidar simultaneamente da cabeça: do mesmo modo, imaginar que seja possível tratar só da cabeça, sem levar em consideração o corpo todo, é rematada tolice. Com esse raciocínio, determinam suas prescrições para todo o corpo, esforçando-se em tratar e curar a parte juntamente com o todo. Ou não observaste que é assim que eles falam e que as coisas se passam desse jeito?
- Perfeitamente, respondeu."